Última matéria enviada em 22/08/2008 - Matéria acessada: 1457 vezes
Eua acusam brasileiro de infectar 100 mil computadores

Ele e um comparsa holandês teriam usado uma rede de máquinas zumbi. Acusado pode pegar até cinco anos de prisão nos EUA e pagar US$ 250 mil.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (21) que um brasileiro responderá criminalmente por participar de um esquema que resultou na infecção de mais de 100 mil computadores -- o objetivo era fazer com que essas máquinas disparassem mensagens não-solicitadas, ou spams.

A Justiça de Nova Orleans, em Louisiana, acusa o homem de 35 anos de conspiração para causar danos em computadores de todo o mundo. Se condenado, o homem de Taubaté, em São Paulo, pode pegar até cinco anos de prisão e três anos de liberdade condicional, além de multa de US$ 250 mil baseados nas perdas causadas às vítimas de sua ação. 

O brasileiro agia em parceria com um holandês de 19 anos. Juntos, eles “usavam, mantinham, alugavam e vendiam” uma rede de computadores zumbis, ou botnet (veja aqui como funciona). O holandês foi o responsável pela criação da rede, enquanto o brasileiro usava essa estrutura e pagava os servidores onde ela estava hospedada.

Entre maio e julho, os dois concordaram em alugar a botnet para terceiros, com o objetivo de disparar spam. Depois disso, eles combinaram de vender a rede por 25 mil euros, o equivalente a R$ 60 mil.  

Detenção
O brasileiro foi detido na Holanda em 29 de julho e aguarda o pedido de extradição para os Estados Unidos. Seu comparsa, também preso na Holanda, será julgado neste mesmo país. Na época da prisão, eles negociavam a venda de acesso aos computadores que controlava.

A ação batizada de Conexão Holanda também resultou na apreensão de documentos, dez discos rígidos, quatro notebooks, e 500 CDs e DVDs. Em São Paulo, a PF fez buscas em dois imóveis do suspeito em Taubaté, a 140 km de São Paulo, e Caraguatatuba, a 173 km.

A investigação durou quatro meses e foi realizada por agentes do FBI e policiais federais da unidade de repressão a crimes cibernéticos e da Superintendência Regional da PF em São Paulo. Com a apreensão dos computadores usados pelo hacker, a PF acredita que será possível saber o total de máquinas controladas e utilizadas nos golpes.  

Computador zumbi
A criação desse tipo de rede visa o controle remoto de computadores. Para isso, os criminosos instalam códigos maliciosos nas máquinas das vítimas, geralmente utilizando um golpe conhecido como phishing scam, deixando assim os PCs sob seu domínio. Muitas vezes o usuário nem percebe a presença dos programas, pois na maioria das vezes a máquina não apresenta diferença em seu funcionamento.

Com a chamada botnet criada, o hacker consegue realizar crimes pela internet, como o envio de spams. O criminoso também pode dar um comando para que todos os computadores controlados por ele acessem simultaneamente um site ou servidor de informações, o que torna o tráfego lento para os usuários comuns. Esse tipo de ação pode tirar o site ou servidor do ar.

 
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