Última matéria enviada em 16/07/2007 - Matéria acessada: 784 vezes
Primeiro campeão pan-americano do país sobrevive com R$ 600
O primeiro brasileiro campeão pan-americano dos Jogos do Rio de Janeiro recebe menos de dois salários mínimos por mês para viver do esporte. Neste domingo, logo após receber a medalha de ouro e ser ovacionado pelos brasileiros que acompanharam sua luta, o paulista aproveitou para protestar.

Flávio Florido/UOL Esporte
O atleta brasileiro se emocionou muito
ao ficar no lugar mais alto do pódio
"Recebo só R$ 600,00 da Confederação (Brasileira de Taekwondo, oriundos da Lei Piva). Mas esse dinheiro atrasa e só recebemos a cada três meses. Nesse ano, fiz de tudo por essa medalha de ouro. Desembolsei do meu próprio bolso cinco mil reais para competir e treinar na Europa. Acreditava que precisava fazer o possível e o impossível por essa medalha de ouro", desabafou o paulista de Campinas.

Filho de família pobre, Diogo guardava, há anos, dinheiro para dar um carro para sua mãe, Tel. "Ela é manicure e atende na casa das pessoas. Às vezes, precisa pegar três, quatro conduções por dia para trabalhar. Quando resolvi investir esse dinheiro na minha carreira, disse que esse presente eu não daria, mas por um investimento muito importante. E hoje essa medalha de ouro é fruto disso", afirma Diogo.

Segundo o técnico do atleta, há pouco tempo ele recebia mais do que os R$ 600 atuais. "Não sei se foi retaliação por ele fazer críticas abertas à Confederação, mas ele teve uma redução de salário. Quem foi para as Olimpíadas tinha um salário diferenciado, de R$ 1.000, mas agora reduziram. Sem aviso nenhum. O Diogo ficou bem bravo com isso", diz Fernando Madureira.

Além disso, no começo do ano ele ainda perdeu os R$ 2.500 que recebia do programa Bolsa Atleta, do Governo Federal. "Eu estava competindo no exterior no período de renovação e perdi o benefício".

O treinador, aliás, praticamente salvou a carreira do lutador após os Jogos de Atenas. Em 2004, Diogo conquistou o quarto lugar nas Olimpíadas, mas, logo que voltou, ficou sem lugar para treinar. "Liguei para ele o levei para Londrina, para treinar comigo. Hoje ele mora com vários atletas de um grupo de garotos que eu treino", diz o treinador.

Ainda em Atenas, Diogo repetiu o movimento dos Panteras Negras norte-americanos, levantando o punho com uma luva preta. Ele protestava contra as condições de treinamento dos brasileiro do taekwondo. Dessa vez, ele não repetiu o gesto.

"Naquele momento, passou pela minha cabeça uma série de cenas sobre Pan e Olimpíadas de outros atletas. Eu pensava quando seria a minha vez. Sempre era a vez dos outros, porque a não a minha? Naquele momento era a minha vez. A minha vez de ouvir o meu hino nacional, de estar lá em cima, de estar emocionado. Aquele momento foi muito importante para mim e para o meu esporte".

 
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