Última matéria enviada em 28/04/2006 - Matéria acessada: 1524 vezes
Derrame - A doença que mais mata no Brasil, veja como prevenir
O derrame é a principal causa de morte no Brasil. Mas novas técnicas de prevenção e tratamento devem reduzir o alcance da doença

Ivan Padilla
Com Cristiane Segatto, Elisa Martins e Ana Paula Gatti


» Como reconhecer um derrame  

ATENDIMENTO
Quanto antes o paciente chegar ao hospital, maiores serão suas chances de sobrevivência e menores os riscos de ter seqüelas

É como se um pequeno cano de uma vasta rede de tubulações de água de repente ficasse entupido ou se rompesse. E esse dano, mesmo sendo mínimo, matasse de sede boa parte da população - ou toda ela - de uma cidade. É mais ou menos isso que acontece dentro do cérebro quando o fluxo de sangue que passa por uma artéria é interrompido. Sem oxigênio, os neurônios da região atingida morrem em questão de minutos. As funções em que essas células nervosas estão envolvidas, como andar, falar e raciocinar, podem ficar seriamente comprometidas. Quanto maior a demora no atendimento, menores serão as chances de sobrevivência e mais graves - e irreversíveis - serão as seqüelas. Esse é o mecanismo mais comum de um AVC, ou acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como derrame.

Trata-se da segunda principal causa de morte no mundo, atrás apenas de problemas cardíacos. A cada ano, 15 milhões de pessoas em todo o planeta são vítimas de derrame. No Brasil, o cenário é ainda mais sério. O derrame é a doença que mais matou nos últimos cinco anos - mais que complicações coronarianas, mais que violência, mais que trânsito. Entre 2000 e 2004, último ano em que os casos foram computados pelo Ministério da Saúde, deixou 317.998 mortos. No mesmo período, o infarto, a segunda principal causa, eliminou 308.944 vidas.

Esse elevado índice se deve a dois motivos: o aumento da expectativa de vida e os maus hábitos dos brasileiros. 'O derrame acontece mais entre pobres e velhos', afirma Paulo Lotufo, superintendente do Hospital da Universidade de São Paulo e autor de diversos estudos epidemiológicos da doença. Mas quase todo mundo tem na família alguma vítima de derrame. E volta e meia a doença chega aos noticiários, quando atinge personalidades como o carnavalesco Joãosinho Trinta, o cantor sertanejo Sérgio Reis, o primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon e até mesmo o papa Bento XVI. Agora, avanços científicos, o aprimoramento de técnicas de reabilitação e campanhas de prevenção fornecem novas esperanças no combate ao derrame.

Existem dois tipos de derrame. O primeiro, chamado de isquêmico, acontece pela obstrução de uma artéria por um coágulo de sangue ou pelo acúmulo de placas de gordura. Com a idade, o consumo de comidas pesadas e o aumento do colesterol, essas placas vão se acumulando. Essa é a causa mais comum. A cada cinco derrames, quatro ocorrem dessa maneira.

Foi o que aconteceu com Laércio Pereira da Silva, de 47 anos, zelador de um prédio no bairro paulistano da Vila Mariana. Mesmo com colesterol alto, sempre abusou de comidas gordurosas e bem temperadas. Em junho do ano passado, quando saía de casa para fazer compras com a mulher, sentiu o lado direito do corpo dormente - 'como se estivesse bêbado', diz. Vítima de um derrame isquêmico, foi atendido a tempo em um hospital da rede pública. Refeito do susto, passou a controlar o índice de gordura no sangue. 'Aprendi a lição, comecei a tomar remédios para segurar o colesterol e mudei os hábitos alimentares da família', afirma.

O segundo tipo de derrame é o hemorrágico. É mais raro e geralmente ocorre devido ao rompimento de uma artéria. Também pode acontecer quando explode um aneurisma, que é uma dilatação da artéria. O hematoma formado pelo sangramento afeta o tecido cerebral. Muitas vezes ocorre um inchaço (ou edema), que comprime as estruturas do cérebro e pode ser fatal. A pressão alta é a principal causa desse tipo de derrame. E o consumo de sal, bastante alto no Brasil, só piora esse quadro. A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de até 2 gramas por dia. Cada brasileiro ingere, em média, seis vezes essa quantidade.

Sônia Maria Gutierre, de 47 anos, dona de um brechó na zona norte de São Paulo, nunca abusou do sal, não sofre de hipertensão nem foi vítima de um aneurisma. Mas teve o azar de sofrer um derrame hemorrágico devido a uma complicação cirúrgica, quando se submetia à extração de um meningioma, um tumor benigno do cérebro, há dois anos. Como já estava em um hospital, foi rapidamente submetida a uma nova cirurgia para drenar o sangue acumulado. Sônia perdeu boa parte da mobilidade do lado esquerdo do corpo e só consegue andar com a bengala de quatro apoios, a qual apelidou, com muito bom humor, de Martinho da Vila. 'Com ela, ando devagar, devagar, devagarinho', diz, em referência a um dos maiores sucessos do sambista.

Fonte: Revista Época
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1181612-1653,00.html

 
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